O trabalho de estudos sociais me fez refletir e desabafar sobre nossa realidade como professora, coisas que a muito estão me incomodando e que não encontrava espaço para falar ... Estava com aquele nó na garganta e precisava colocar para fora coisas que somente quem esta dentro de uma sala de aula sabe dizer, mas não mais com todos os rodeios, dizendo o quanto é bonito e gratificante ensinar, mas agora minha garganta quer falar o quanto é difícil, árduo, sofrido... Quantas vezes chegamos em casa esgotadas, quantas vezes nos envolvemos e choramos por causa da triste situação em que determinado aluno se encontra, nossos alunos são tão nossos quanto nossa família, nos envolvemos sim, sofremos junto sim ... carência, miséria, ignorância, pobreza, necessidade, frio, fome, falta... Nos espreitam diariamente ...
Quantas noites viramos planejando aulas, quanto falamos, corremos, ensimamos,educamos ... Somente nós mesmas sabemos do que estou falando, a maioria da sociedade nem tem a menor idéia da relação aluno-professor que se forma durante um ano letivo, sabemos sim quando o aluno não está bem só de olhar para ele, nos preocupamos sim ... vibramos quando ele finalmente começa esboçar uma leitura sozinho, quando supera uma dificuldade ...
O sinal toca e ao fecharmos a porta da sala de aula nos deparamos com um outro mundo que só nós conhecemos, vivemos ... Precisamos aprender a lidar com todo o tipo de família, educação , vivência e transformar sentimentos, sonhos, aprendizagens em uma coisa só, em uma "turma" que tem características próprias como uma "família" numerosa tem. Portanto não aceito que falem da minha "família", pois quem passa quatro horas e meia dentro de uma pequena sala com ela sou eu, não aceito que pessoas do alto de sua SABEDORIA (sem nenhuma EXPERIÊNCIA na área) venham me dar palpite sobre o que seria bom que se fizesse na escola ou não ... Isso para mim é o mais desgastante, ter que ouvir pessoas que passam atrás de suas mesas, sentadas em confortáveis cadeiras, usufruindo de ar condicionado, hora de intervalo, longe do barulho da escola, de salto alto, bem vestidas, longe do pó e sujeira, envolta a papéis e cafézinhos descontraídos sem pressa nenhuma para realizar suas atribuições, palpitarem. Na minha opinião, pessoas sem a menor noção do que acontece em nosso cotidiano devem se conter, e em primeiro lugar, perguntar, conhecer, ouvir e depois opinar ... quem sabe trocar de lugar uma semana e depois dar sua opinião ? Não vejo ninguém palpitando sobre como um médico deve realizar uma cirurgia, mas sobre a educação e a escola todos sempre tem um palpite a dar, mesmo sem terem nada para falar ...
O que quero deixar claro é que nós fazemos o máximo com o mínimo de recursos, tentamos atender todas as expectativas e são muitas e muitas vezes não conseguimos, ficamos frustradas, esgotamos nossas forças, cansamos também ... E ainda assim continuamos seguindo em frente ... Mas foi o que escolhi, acredito no que faço, vibro com as conquistas de meus alunos, quero continuar, mas precisava desabafar...